Mostrando postagens com marcador Pelé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pelé. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mordidinha no ombro

Hincha charrúa pronto para pegar o Blatter dicunforça.
“For the good of the game!” - é assim que a FIFA alardeia ao mundo suas intenções em relação ao futebol. Portanto, para o bem do jogo, é bom que todos joguem limpo.

Não ria, cético leitor; a FIFA preza pelo fair-play. Prova disso é a exemplar punição sentenciada ao guerreiro charrúa e atacante uruguaio, Luizito “El Conejo” Suárez, por conta de uma mordiscada num cannelloni italiano, seu colega de profissão. Com a cajadada, a toda-poderosa pretende matar dois coelhos: auto proclamar-se a guardiã da bola, além de advertir aos maus elementos que ali as regras existem para ser cumpridas. A entidade parece resoluta em extirpar do esporte qualquer sintoma exacerbadamente humano, projetando no horizonte uma peleja robótica, protagonizada por tão infalíveis e obedientes jogadores.

“O vídeo-tape é burro”, disse Nelson Rodrigues, quiçá o homem que mais compreendeu a alma da gorduchinha. Mas de que adianta emperolar o porco se a dona do jogo, que já não dá ouvidos às tradições da bola, escuta muito menos aos poetas e filósofos dessa Escola? Ela não somente confere as imagens da partida, como dá vida a transgressões não computadas pelo juiz, penalizando o infrator por meio de um hipócrito tribunal post mortem.

Suárez virou bode expiatório por ser reincidente. Na final da Copa da Alemanha, Zidane, que com seu cabezazo na caixa dos peitos poderia ter simplesmente matado o Materazzi, recebeu apenas três partidas de suspensão – algo muito coerente e justo, creio -, e isso porque já havia anunciado a aposentadoria.  

Mas seguindo a lógica bizarra ora em voga, o símbolo “Pelé” seria, por exemplo, hoje, menor do que é. Pela cotovelada na fuça de um uruguaio, na semifinal de 70, o crioulo teria pegado ao menos dez partidas de gancho, tamanha a violência do golpe. Tudo, no entanto, ficou em celestes nuvens; ele jogou a Final, imortalizou-se e fez da camisa 10 canarinho um ícone mundial. Nada disso teria rolado se os cartolas tivessem metido a nariga onde não são chamados.

Isso para não falar dos milhares de pênaltis não marcados, dos gols mal assinalados ou sequer validados e dos corações infartados por equívocos da arbitragem. Será que o bandeirinha suíço que deu o famoso não gol inglês, em Wembley66, vai ter sua honra e seu nome depreciados pela FIFA em praça pública, agora que se instituiu as câmeras na linha do gol? Seu erro causou uma derrota em final de Copa, enquanto que o de Suárez, somente uma escoriação. Qual equívoco selou mais vidas ou mudou mais destinos? Por que, então, a FIFA age como uma divindade envolta em castidade para selar o porvir dos verdadeiros protagonistas do espetáculo, sem nenhuma responsabilidade?

E mais: o que ela quer dizer com nove partidas de suspensão e quatro meses longe de qualquer atividade relacionada ao futebol, proibindo o indivíduo, inclusive, de freqüentar estádios – sem mencionar as 100 mil libras de multa? Aviltamento público? Não sou defensor das bordoadas, mas qual a diferença entre uma mordida e uma cotovelada na cara? Ou de uma cusparada no olho? Quantas pancadas nebulosas não são dadas, diuturnamente, pelos campos de futebol, mundo afora? O padrão-FIFA quer criar jogadores insensíveis, sem emoção?

Zizou justificou que o italiano havia ofendido sua irmã e sua honra, e todos o perdoaram. Isso torna sua cabeçada menos violenta que a dentada de Luizito? Ou menos letal? Menos perigosa? Que jurisprudência ou moral tem a FIFA para acusar este ou aquele por jogo sujo? Logo ela, que merece o epíteto mais do que qualquer outra entidade capitalista no planeta. Logo ela, que inventa uma Copa no meio do deserto e mandou o bom senso se Qatar!

Obviamente que não se trata de perseguição, como alegam os uruguaios; do contrário o mediano Diego Forlán nunca teria sido eleito o melhor da Copa passada. Mas o viés totalitário e injustificável da punição contribui para desconfianças, além de um natural arrefecimento da nossa paixão em relação à Copa. A FIFA não entende de futebol e age com recalque. Toda solidariedade ao Povo Cisplatino. E mordidinha no ombro pro Blatter.


foto: joão sassi






domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Bola nos Tempos de Outrora


O Mané Garrincha fugirá às suas tradições para receber "torcedor de elite".




Todo menino é um rei. Eu também já fui rei, e como tal, achava que tudo aquilo que havia acontecido antes do meu nascimento fosse algo muito distante de mim. Na infância, o tempo é abstrato.

Naquela época meu pai costumava falar muito da seleção brasileira, então tricampeã mundial. Aos dez anos de idade, eu já tinha alguma intimidade com os scratches de 58, de 62 e de 70. Sabia quem eram, por exemplo, o Príncipe Etíope, a Enciclopédia, o Peito-de-Aço, o Possesso, bem como o Canhotinha-de-Ouro, o Capita, a Patada Atômica e, claro, o Furacão da Copa. Sabia até mesmo que Brito, o beque-central, era o melhor preparo físico daquele time tricampeão.

A consagração no México havia ocorrido há pouco mais de uma década, ainda que no meu raciocínio infantil a magistral campanha do tri fosse coisa de muito tempo atrás. Minha única ligação com aquele espaço-tempo era, pasmem, o Rei Pelé, pelo simples fato de havê-lo visto jogar pelo Flamengo, num amistoso contra o Galo; o que nem de longe me credenciava a pensar na seleção de 70 como uma coisa próxima ao meu tempo. A TV era P&B, a antena não funcionava e eu contava somente quatro anos, mas Pelé é Pelé, e disso ninguém esquece.

Foram, entretanto, tantos e tão ricos os detalhes e informações que me foram sendo carinhosamente legados e transmitidos ao longo da infância, que sou capaz de sentir a nostalgia que meu pai um dia sentiu. É o que acaba de ocorrer, há pouco, quando assisti, pela enésima vez, ao documentário “Isto é Pelé”.

A locução grave, com caráter de história oficial, o som ambiente dos estádios ou mesmo a ausência total de ruídos em alguns gols exibidos conduzem o telespectador àquele tempo que já passou. Tempo este em que os jogadores se abraçavam desprovidos de vaidade ou malícia marqueteira, quando ainda não havia telões ou câmeras para se buscar na hora do gol (à época, um gozo coletivo). Nesse tempo, as camisas eram de algodão e as traves de madeira, quadradas. Foi um tempo em que se chorava após uma grande conquista ou grande feito alcançado – a alegria surgia antes dos dividendos, pois a seleção era formada por pessoas comuns, à feição dos que por ela torciam. Nem a ditadura conseguiu fazê-la menos brasileira.

Foi um tempo em que as emoções afloravam espontaneamente, e que teve seu ápice na participação massiva da torcida no desfecho daquela Copa, que abraçou (literalmente) o time canarinho na grande final, naquilo que se configurou numa das mais espetaculares demonstrações de afeto a uma equipe de futebol – e nem brasileiros eles eram! As bandeiras, os rojões, a chuva de papel picado e o público eufórico invadindo o campo fizeram daquela celebração uma das mais tocantes já vistas no esporte mundial, tornando o Estádio Azteca um lugar sagrado para nosso futebol. As cenas são de arrepiar os cabelos do careca.

Nos dias de hoje, mais de quatro décadas após a consagração da seleção nos gramados mexicanos, tenho para mim que esse tempo não está tão distante assim. Na verdade, ele está bem mais próximo agora do que no meu tempo de criança. Talvez porque a contemporaneidade seja palco de uma humanidade obcecada pela futilidade da vida e pelo profissionalismo dos negócios. Talvez porque, por conta disso, os jogadores tenham desaprendido a brincar de bola sem que tenham, de fato, aprendido a jogar futebol.

Trata-se de um universo diferente, formatado cotidianamente pela mídia, e não mais ancorado na tradição oral, passada de pai para filho (quando pais e filhos ainda conversavam). Nesse mundo novo, os estádios de futebol e toda a cultura local ali existente foram desintegrados, dando lugar a shoppings que, sabe-se lá por que razão, são chamados de “arenas”. Os torcedores que ali festejavam, por sua vez, foram banidos e substituídos por consumidores.

No mundo de hoje, enfim, o povo não recebe convite para a festa que ele mesmo criou. Deu lugar a torcedores europeizados que seriam mais civilizados por torcerem sentados e não se mexerem muito nas arquibancadas, além, é claro, de comprarem produtos oficiais da sua “empresa do coração”. Nesse mundo tão comportado e organizado, o tradicional modo de torcer tornou-se obsoleto. Nele, a paixão do torcedor é quantificada pelo poder de consumo daquele que a proclama.

Esses sentimentos contraditórios e melancólicos me fizeram recordar que há tempos não converso sobre a seleção com meu pai. Fico triste, principalmente por ser seu aniversário, dia de comemoração.

Sinto, porém, que nosso tempo já tenha realmente passado, e que hoje não sejamos mais do que dinossauros à espera da extinção. Lá se foi o tempo da bola, levando consigo os belos tempos de outrora. Mesmo assim, feliz aniversário, pai.


foto: joão sassi


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Caso Lionel Messi: quem ama o feio, bonito lhe parece.


Fio Maravilha: - "Beleza não se põe à mesa, valeu, chefia?".

Vou abrir o jogo: eu não gosto do estilo do Messi.

Se atento for, o nobre aficionado há de perceber que é apenas uma questão de gosto, e nada mais. Não contesto sua técnica, tampouco sua genialidade, mas viro a cara para seu futebol. Para se ter uma idéia, a última partida do Barça a que assisti integralmente foi a constrangedora tarracada em cima do Peixe; antes disso, só com Ronaldinho Gaúcho em campo eu tinha saco.

Para mim, não está em pauta a (inigualável) eficiência do argentino, mas o que eu quero do jogo. Podem me tachar de reaça e dizer que não acompanhei a evolução do esporte, mas que o futebol dele se parece com o futebol de vídeo-game, isso é inegável. Há apuro no desenlace das jogadas, e até improviso, mas quase nenhuma espontaneidade. O passe é teso; o lançamento é teso; o chute a gol é teso. A perna parece ter uma amplitude mínima, movimentando-se por uma diminuta órbita, ainda que imprevisível e letal. Até a comemoração de Messi é tesa. Será que tem a ver com sua apática personalidade?

Fora de campo, Messi é comparável a Pelé; são dois sujeitos sem sal nenhum. Maradona, nesse quesito, passeia, deleitando-nos ao manifestar sua alma livre, mesmo tendo aprisionado o pensamento ao pó. O refúgio que El 10 buscou no delírio químico tem raízes na consciência do mundo hipócrita e perverso em que vive, ao contrário dos outros dois, que parecem conviver em plena harmonia com o status quo e com o stablishment. Até que ponto isso se reflete em campo, não sei (há que se inventar uma escala que meça a subjetividade), mas o fato é que a rebeldia do futebol de Maradona é visivelmente mais humana, e indiscutivelmente mais bela.

Maradona se transformou em revolucionário, Pelé em fantoche e Messi num especialista. Ele é bom no que faz e pronto. É fruto do tecnicismo da contemporaneidade. É produto da mentalidade segundo a qual a arte se torna desnecessária, quase acidental. Não vejo espetáculo nos recordes impressionantes do craque, mas apenas barreiras sendo transpostas, burocraticamente, sem tesão ou prazer. Messi faz chover em campo, mas fico algo frustrado quando o vejo jogar, pois se tem a impressão de que seu arco-íris nunca se completa. Não há encanto em sua magia.

É tudo muito preciso, tudo muito perfeito – o rápido deslocamento, o pique ligeiro, o leve toque na bola, o lençolzinho no goleiro – mas a perna permanece ali, imperceptível, como um ferrão que apenas executa o inimigo e se recolhe, pronto para o próximo bote. Tem forma humana, embora não aja como tal; La Pulga que me desculpe, mas beleza é fundamental.

foto: joão sassi

domingo, 3 de junho de 2012

Ronaldo e as 32 Primaveras

Acima, Ronaldinho é flagrado na rua: "Tá tudo normal;
 o pensamento é estar na Seleção
", assegurou  o craque.
Jurei aos meus doze seguidores do Twitter (agora já são catorze) que não mais falaria em Ronaldinho Gaúcho, e que o melhor que a torcida rubro-negra poderia fazer era simplesmente ser indiferente ao ex-atleta.

No entanto, ao estar aqui, dando a mão à palmatória, reconheço não ser possível ignorá-lo, haja vista a dimensão que seu futebol um dia alcançou. E ainda que o magnetismo e o carisma outrora vistos tenham simplesmente desaparecido junto com sua inspiração e espontaneidade, seria ludopedicamente condenável omitir os últimos acontecimentos.

Para não incorrer em meras suposições ou legítimos rancores, tomarei alguns fora-de-série como fio condutor deste artigo. E terei como referência o número 32 – a idade atual de Ronaldinho.

Vejamos os casos de Pelé, Zico, Romário e Ronaldo Nazário; estrelas de primeira grandeza; astros de brilho solar, tal qual o personagem desta notícia.

Em 1972, quando faria 32 anos de idade, Pelé disputou, segundo a Wikipédia, 110 partidas (oficiais e amistosas), marcando um total de 69 gols no período correspondente. O ano marcou ainda a data voluntariamente escolhida pelo Rei para se despedir da Seleção Brasileira, sendo ovacionado pela torcida paulista que lotava o Morumbi. Nos dois anos seguintes, marcaria ainda mais 104 gols pelo time da Vila famosa, encerrando a carreira jogando em alto nível, aos 34 anos de idade. Deu ainda três anos de lambuja para exibir-se e enriquecer no Cosmos-EUA, em Nova Iorque; mas isso não conta.

A título de comparação, dos 28 aos atuais 32 anos – a contar desde a estreia pelo Milan-ITA até a ruptura com o Fla – o astro gaúcho disputou um total de 150 partidas, marcando exíguos 48 gols (e não adianta que não vou me dar ao trabalho de pesquisar quantos foram de pênalti).

Passemos ao Galo, quem teve o dissabor de conhecer o inferno justamente aos 32. O ano era 1985, e Zico acabava de ser resgatado pelo Fla, no chamado “Projeto Zico”: uma engendração financeira ousada que possibilitou a custosa volta do filho pródigo à Gávea, numa época em que a moeda nacional não apitava nada.

Poucos meses depois, no entanto, o Galinho sofreria a mais grave contusão de sua carreira por conta do gesto gracioso de um “colega de profissão”. No ocorrido, o zagueiro banguense Márcio Nunes, “receando a conhecida maldade de Zico” (conforme declararia), entrou com uma bela voadora nos joelhos da joia rubro-negra.

Quatro anos e três cirurgias depois, Zico encerraria a carreira tendo comandado o Flamengo Campeão Brasileiro de 87, bem como sendo o líder da Seleção Brasileira durante as eliminatórias de 85, ocorrendo o mesmo na Copa do México (quando, todos sabem, ele só participou a pedido de Telê), com seu protagonismo indiscutível. Bastava Zico aparecer na lateral, se aquecendo para entrar, para a torcida mexicana vir abaixo.

Em resumo, mesmo com o joelho arrebentado, num tempo em que a medicina esportiva engatinhava, foi sempre um jogador temido e respeitado por adversários e torcedores, além de idolatrado pela torcida. Depois, seguiu os passos do Rei e foi fazer do futebol uma língua reconhecida em terras estrangeiras; foi quando se tornou imperador no Japão, mas isso também não conta.

Temos também o caso de Romário, quem arcou com um alto custo por querer fazer os tais mil gols, maculando um pouco o fim da carreira, quando já contava 42 anos de idade. Uma década antes, porém, quando completou o suficiente para constar nesta resenha, o Baixinho ainda aterrorizava geral.

Basta lembrar que, após os 32 anos de idade, Romário fez mais de 400 gols, ganhou inúmeros títulos e disputou inúmeras artilharias. Em tempo: só não disputou as Copas de 98 e de 2002 porque é, como sabemos, um bad-boy. Fosse mais esperto do que se acha, e tivesse se cuidado um pouco mais no quesito extracampo, é certo que seus números seriam maiores e mais grandiosos do que já são.

E de Ronaldo Nazário, o que se pode dizer? Talvez não seja necessário se lembrar do cara que pintou na Gávea, em meados de 2008, egresso do Milan, ostentado um cabelo bizarro, uma pança cômica e dois joelhos bichados - época em que tinha acabado de alcançar sua 32ª Primavera.

O Fenômeno não teve a despedida dos sonhos que Pelé teve; nem na Seleção, nem no Timão. Tampouco voltou ao time canarinho, ou a disputar mais uma Copa do Mundo, muito menos como protagonista, como fez Zico. E sequer balançou as redes, enfurecidamente, como o “Peixe” Romário. Nada disso!

Ainda assim, fez o que todo mundo já sabe: encantou os adoradores de Ludopedhya durante os dois anos seguintes, conquistando títulos e dando aos que não o tinham visto de perto, a chance de ver uma lenda em campo. Quando jogou a toalha, as 34 anos, o Fofômeno não precisava mais provar nada a ninguém: adentrou o Olimpo, sentou-se em sua poltrona de nuvens e está lá, curtindo os louros de sua bem-aventurada carreira.

Mas...

... e  Ronaldinho Gaúcho?

Ronaldinho, conforme o texto inaugural desse blog (leia "O Rei está Nu), esteve ali, na condição de um semideus, mas não entendeu o recado das massas.

Hoje, de acordo com pesquisa veiculada no “Esporte Espetacular” (o matinal dominical esportivo da TV Globo), nenhuma torcida brasileira o quer. Os índices variam quanto à rejeição – maior, como a da amargurada torcida gremista (88%), ou menor, como a carente torcida palmeirense (51%) -, mas não quanto à opinião do torcedor que, em todos os casos, ultrapassa os 50% de rejeição. Mesmo aqueles que torcem para times de menor prestígio nacional, como o do Figueirense ou o do Atlético Goianiense, estes também rejeitaram enfaticamente a presença do ex-melhor do mundo em suas equipes.

Se eu fosse o Ronaldinho, pedia o boné e ia fazer companhia às focas de algum parque temático em Miami. Como no caso do poeta, Ronaldo, seu tempo é outro. Acabou.


foto de João Sassi
Rodoviária-DF