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| Acima, Ronaldinho é flagrado na rua: "Tá tudo normal; o pensamento é estar na Seleção", assegurou o craque. |
No entanto, ao estar aqui, dando
a mão à palmatória, reconheço não ser possível ignorá-lo, haja vista a dimensão
que seu futebol um dia alcançou. E ainda que o magnetismo e o carisma outrora
vistos tenham simplesmente desaparecido junto com sua inspiração e espontaneidade,
seria ludopedicamente condenável omitir os últimos acontecimentos.
Para não incorrer em meras
suposições ou legítimos rancores, tomarei alguns fora-de-série como fio
condutor deste artigo. E terei como referência o número 32 – a idade atual de Ronaldinho.
Vejamos os casos de Pelé, Zico,
Romário e Ronaldo Nazário; estrelas de primeira grandeza; astros de brilho
solar, tal qual o personagem desta notícia.
Em 1972, quando faria 32 anos de
idade, Pelé disputou, segundo a Wikipédia, 110 partidas (oficiais e amistosas),
marcando um total de 69 gols no período correspondente. O ano marcou ainda a
data voluntariamente escolhida pelo Rei para se despedir da Seleção Brasileira,
sendo ovacionado pela torcida paulista que lotava o Morumbi. Nos dois anos
seguintes, marcaria ainda mais 104 gols pelo time da Vila famosa, encerrando a
carreira jogando em alto nível, aos 34 anos de idade. Deu ainda três anos de
lambuja para exibir-se e enriquecer no Cosmos-EUA, em Nova Iorque; mas isso não
conta.
A título de comparação, dos 28
aos atuais 32 anos – a contar desde a estreia pelo Milan-ITA até a ruptura com
o Fla – o astro gaúcho disputou um total de 150 partidas, marcando exíguos 48
gols (e não adianta que não vou me dar ao trabalho de pesquisar quantos foram
de pênalti).
Passemos ao Galo, quem teve o
dissabor de conhecer o inferno justamente aos 32. O ano era 1985, e Zico
acabava de ser resgatado pelo Fla, no chamado “Projeto Zico”: uma engendração
financeira ousada que possibilitou a custosa volta do filho pródigo à Gávea,
numa época em que a moeda nacional não apitava nada.
Poucos meses depois, no entanto,
o Galinho sofreria a mais grave contusão de sua carreira por conta do gesto
gracioso de um “colega de profissão”. No ocorrido, o zagueiro banguense Márcio Nunes,
“receando a conhecida maldade de Zico” (conforme declararia), entrou com uma
bela voadora nos joelhos da joia rubro-negra.
Quatro anos e três cirurgias
depois, Zico encerraria a carreira tendo comandado o Flamengo Campeão Brasileiro
de 87, bem como sendo o líder da Seleção Brasileira durante as eliminatórias de
85, ocorrendo o mesmo na Copa do México (quando, todos sabem, ele só
participou a pedido de Telê), com seu protagonismo indiscutível. Bastava Zico aparecer na lateral, se aquecendo para entrar, para a torcida mexicana vir abaixo.
Em resumo, mesmo com o joelho
arrebentado, num tempo em que a medicina esportiva engatinhava, foi sempre um
jogador temido e respeitado por adversários e torcedores, além de idolatrado
pela torcida. Depois, seguiu os passos do Rei e foi fazer do futebol uma língua
reconhecida em terras estrangeiras; foi quando se tornou imperador no Japão,
mas isso também não conta.
Temos também o caso de Romário,
quem arcou com um alto custo por querer fazer os tais mil gols, maculando um
pouco o fim da carreira, quando já contava 42 anos de idade. Uma década antes, porém,
quando completou o suficiente para constar nesta resenha, o Baixinho ainda
aterrorizava geral.
Basta lembrar que, após os 32
anos de idade, Romário fez mais de 400 gols, ganhou inúmeros títulos e disputou
inúmeras artilharias. Em tempo: só não disputou as Copas de 98 e de 2002 porque
é, como sabemos, um bad-boy. Fosse mais esperto do que se acha, e tivesse se
cuidado um pouco mais no quesito extracampo, é certo que seus números seriam
maiores e mais grandiosos do que já são.
E de Ronaldo Nazário, o que se
pode dizer? Talvez não seja necessário se lembrar do cara que pintou na Gávea,
em meados de 2008, egresso do Milan, ostentado um cabelo bizarro, uma pança
cômica e dois joelhos bichados - época em que tinha acabado de alcançar sua 32ª
Primavera.
O Fenômeno não teve a despedida
dos sonhos que Pelé teve; nem na Seleção, nem no Timão. Tampouco voltou ao time
canarinho, ou a disputar mais uma Copa do Mundo, muito menos como protagonista,
como fez Zico. E sequer balançou as redes, enfurecidamente, como o “Peixe”
Romário. Nada disso!
Ainda assim, fez o que todo mundo
já sabe: encantou os adoradores de Ludopedhya durante os dois anos seguintes, conquistando
títulos e dando aos que não o tinham visto de perto, a chance de ver uma lenda
em campo. Quando jogou a toalha, as 34 anos, o Fofômeno não precisava mais
provar nada a ninguém: adentrou o Olimpo, sentou-se em sua poltrona de nuvens
e está lá, curtindo os louros de sua bem-aventurada carreira.
Mas...
... e Ronaldinho Gaúcho?
Ronaldinho, conforme o texto
inaugural desse blog (leia "O Rei está Nu), esteve ali, na condição de um semideus, mas não entendeu
o recado das massas.
Hoje, de acordo com pesquisa
veiculada no “Esporte Espetacular” (o matinal dominical esportivo da TV Globo),
nenhuma torcida brasileira o quer. Os índices variam quanto à rejeição – maior,
como a da amargurada torcida gremista (88%), ou menor, como a carente torcida
palmeirense (51%) -, mas não quanto à opinião do torcedor que, em todos os
casos, ultrapassa os 50% de rejeição. Mesmo aqueles que torcem para times de
menor prestígio nacional, como o do Figueirense ou o do Atlético Goianiense, estes
também rejeitaram enfaticamente a presença do ex-melhor do mundo em suas
equipes.
Se eu fosse o Ronaldinho, pedia o
boné e ia fazer companhia às focas de algum parque temático em Miami. Como no
caso do poeta, Ronaldo, seu tempo é outro. Acabou.
foto de João Sassi
Rodoviária-DF
foto de João Sassi
Rodoviária-DF
